Secretário de Kiko é denunciado por abuso sexual dentro de repartição pública mas o prefeito se cala

João Mancuso (esq.) mantém histórico de desvio de conduta no Poder Público. Kiko (dir.) prefere não se manifestar sobre o assunto

João Mancuso (esq.) mantém histórico de desvio de conduta no Poder Público. Kiko (dir.) prefere não se manifestar sobre o assunto

Por Thiago Quirino e Marcio Prado

O atual secretario de Comunicação de Ribeirão Pires, João Mancuso Corinaldesi (PSB), tem sido acusado de assédio moral e abuso sexual durante o expediente na Prefeitura. Integrantes da própria Secretaria, além de duas mulheres de fora do Governo denunciaram casos de assédio e prática de sexo dentro da repartição pública.

Devido a gravidade do caso e temendo represálias, as mulheres que foram assediadas e abusadas pediram para manter seus nomes anônimos, porém, há testemunhas e também disposição para relatarem o ocorrido diante da justiça.

Uma das vítimas, uma militante do PSB* (partido presidido pelo próprio João Mancuso no Município) declarou: “Tivemos uma relação sexual lá dentro do gabinete”.

Ela conta que , por sofrer de ansiedade, estava fragilizada quando “na segunda semana de fevereiro, o João me chamou para conversar no gabinete após o expediente dos funcionários. Ele deu a primeira investida e rejeitei. Eu disse que o local era filmado, mas ele disse que não tinha câmeras e nada era gravado e que ninguém iria ficar sabendo do que aconteceria”.

Apesar do fato ter ocorrido fora do horário comercial, João Mancuso, por ser secretario, ainda estava em horário de serviço em plena repartição pública, onde ocorreu o ato sexual.

A Lei Federal 8112/90, deixa claro que a prática de relações sexuais em repartições públicas, infringem o artigo 132 – “fazer escândalo ou incontinência pública na repartição“. Fatos que, comprovados, precisam ser punidos com demissão. João Mancuso também teria descumprido o artigo 116 ao não “manter conduta compatível com a moralidade administrativa“.

A militante relatou que ele tentou novos contatos depois, chegando a humilha-la, usando sua autoridade: “Ele me chamou mais vezes e chegou a oferecer dinheiro em troca de sexo. Me senti humilhada. Ele usou de má fé, me usou”, afirmou.

A fonte afirma que depois de negar uma nova relação, João Mancuso deixou de procura-la. Voltando a lhe ligar apenas quando soube que esta reportagem apurava o fato. João teria procurado a vítima exigindo que ela não dissesse nada sobre o ocorrido, ela deveria negar tudo, o que de fato fez da primeira vez em que foi questionada. A garota, que tem 18 anos, decidiu contar a versão oficial dos acontecimentos depois de tomar ciência da existência de provas, inclusive de vídeo que comprovaria o ato praticado.

O primeiro contato entre Mancuso e a denunciante ocorreu durante a campanha eleitoral de 2016 quando ela assessorava um candidato a vereador e ele coordenava a comunicação da campanha majoritária. “O João sempre deu a entender que queria algo mais”. Apesar disso, a informante afirma que o presidente do PSB até aquele momento nunca havia sido desrespeitoso.

Ela não foi a única a denunciar abusos por parte do Secretário de Comunicação.
Surgiram também informações de que Mancuso, desde que assumiu a Pasta, vem mantendo uma relação pouco profissional com seus subordinados, chegando a cometer assédio moral com as mulheres de seu setor.

Um dos relatos, contado por uma testemunha que deseja ficar no anonimato, revela que o Secretário, ao observar que uma funcionária havia alterado o “status” de sua página pessoal do Facebook para “em relacionamento sério“, teria dito na presença de todos, que a funcionária teria acabado de perder a chance de ser promovida

Inclusive, ele (Mancuso), ficou de cara virada com todos nós, depois de levar uma repreenda, pois muitos questionaram se esse tipo de situação seria a política de trabalho na Secretaria“, disse uma funcionária da Comunicação antes de continuar: “Lamentavelmente achamos que ele não tem maturidade para o cargo, pois não foi apenas esse um fato isolado. Já aconteceram outras situações constrangedoras, nesse sentido, de gracinha com as mulheres“.

Diante do exposto, funcionários da Comunicação temem retaliações e acreditam que, por terem denunciado os casos de assédio moral, serão penalizados ou transferidos da Pasta. Atualmente um clima de apreensão predomina no ambiente de trabalho.

Outro relato, contado por uma fonte ligada à Prefeitura, diz que o Secretário chegou a negociar com uma prestadora de serviço, propondo encerrar unilateralmente os contratos relativos ao website da Prefeitura, bem como o contrato de manutenção, para então, em troca de um relacionamento sexual, presenteá-la com os contratos.

Mancuso chegou a abrir processo questionando o atual contrato de prestação de serviço do site da Prefeitura visando encontrar justificativa para termino da contratação, abrindo caminho para firmar acordo com a proprietária de uma empresa de marketing digital, cujo nome também precisou ser preservado.

Nossa reportagem esteve na Comunicação para falar com João Mancuso que preferiu não se manifestar sobre o caso. Se limitou apena a ligar para algumas das envolvidas e exigir que negassem qualquer caso de assédio ou abuso.

O Prefeito Kiko Teixeira (PSB) também foi procurado, tanto via assessoria quanto pessoalmente, inclusive por telefone, mas também preferiu não tecer qualquer tipo de comentário sobre o caso. Kiko foi questionado sobre quais atitudes tomaria sobre as denúncias de abuso sexual e assédio moral. Infelizmente até o fechamento desta reportagem ele não se pronunciou.

Antes de assumir a Pasta de Comunicação em Ribeirão Pires, João Mancuso já havia passado dois anos na Secretaria de Comunicação de Rio Grande da Serra. Também foi assessor de Kiko, quando o atual prefeito foi Chefe de Gabinete em Diadema (2013), no governo Lauro Michels.

Em 2009, quando ocupou a presidência do Grêmio Estudantil da escola técnica “Lauro Gomes”, em São Bernardo do Campo, foi acusado de usar seu cargo para obter vantagens pessoais, chegando a fazer uso de veículos oficiais da Câmara de Vereadores para passeios. À época, Mancuso também foi acusado de agressões verbais a alunos opositores à ele. Um abaixo assinado foi realizado pedindo a cassação da presidência do Grêmio. Na ocasião, o fato foi negado por Mancuso e pelo então vereador, Marcelo Lima (PPS) em reportagens publicadas por jornal da região.

*corrigido

Anúncios

3 ideias sobre “Secretário de Kiko é denunciado por abuso sexual dentro de repartição pública mas o prefeito se cala

  1. Pingback: Ribeirão Pires: João Mancuso e Kiko querem punir vereador que age com independência. – Caso de Política

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s