Câmara exige apuração de escândalo sexual no Governo Kiko

Secretário João Mancuso (esq.) ao lado do vice-prefeito Gabriel Roncon. À direita da mesa, o Prefeito de Rio Grande da Serra, onde Mancuso trabalhou e o Prefeito de Ribeirão Pires Adler Kiko Teixeira, que decidirá sobre a abertura de sindicância e afastamento do Secretário.

Por Thiago Quirino para o Blog

Em meio ao tumulto ocorrido durante a sessão da Câmara de Ribeirão Pires, na tarde desta última quinta-feira, um requerimento aprovado pelos vereadores passou quase despercebido.

Trata-se de um pedido para que a Prefeitura instaure “sindicância visando apurar as denúncias veiculadas na imprensa e nas redes sociais, envolvendo o Titular da Pasta de Comunicação”, conforme dita o documento.

O requerimento de autoria do vereador Edson Savietto, o Banha (PPS), endossado pelos demais vereadores, destaca a gravidade da denúncia de escândalo sexual: “Nossa solicitação se justifica, diante da grave denúncia veiculada nos meios de comunicação, envolvendo o atual Secretário de Comunicação (João Mancuso – PSB), onde segundo a imprensa foi lavrado Boletim de Ocorrência, por parte da denunciante, fazendo-se necessário verificar se o episódio”.

Os vereadores também esperam do prefeito de Ribeirão Pires, Kiko Teixeira (PSB), “providências cabíveis caso seja constatado a veracidade dos fatos divulgados”.

O escândalo foi originalmente divulgado por esse Blog, que revelou que João Mancuso teria tido relações sexuais, durante seu horário de trabalho, nas dependências da Secretaria de Comunicação.

O vereador Amaury Dias (PV), defende que neste caso, com a abertura da sindicância, o secretário “deve ser afastado do cargo até que as investigações apurem o ocorrido”.

Não apenas isso, João teria o costume de assediar jornalistas e funcionários da Pasta, chegando a ser repreendido pelos servidores por conta do comportamento promíscuo.

O caso foi severamente criticado em redes sociais, especialmente por conta do comportamento do Prefeito em colocar “panos quentes” sobre a denúncia.

Ao tomar ciência das denúncias, Kiko manteve o funcionário de confiança no cargo, postura essa que intimida os denunciantes da Secretaria de Comunicação e atrapalha as investigações do caso.

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo apura a denúncia de assédio moral e deve se manifestar nos próximos dias.

Em Ribeirão Pires, uma Lei Municipal (4816/05) dispõe sobre aplicação de penalidades à prática de assédio moral nas dependências da Administração Pública Municipal. De autoria do vereador da época, Donizete Freitas (PCdoB), a norma diz que o assédio pode ser punido com curso de aprimoramento profissional, suspensão, multa e demissão do servidor (efetivo ou comissionado).

De acordo com a normativa, assédio é entendido como “todo tipo de ação, gesto ou palavra que atinja a autoestima e a segurança de um indivíduo, fazendo-o duvidar de si e de sua competência, implicando em dano ao ambiente de trabalho, à evolução da carreira profissional ou à estabilidade do vínculo empregatício do funcionário”, fatos esses denunciados como ocorridos na Comunicação além do ato sexual praticado indevidamente.

Ao ignorar a denúncia e manter Macuso no comando da Pasta, o próprio Kiko pode ser acusado de assédio contra os funcionários da Comunicação, uma vez que a lei municipal classifica como embaraço o ato de colocar em risco “a integridade física ou mental” do funcionário, comprometendo sua saúde.

Também é destacado em lei que “restringir ou suprimir liberdades” dos funcionários caracteriza assédio. No caso de ocupantes de cargos eletivos, como o prefeito ou vice, a denúncia deve ser encaminhada ao Ministério Público para que sejam tomadas as providências cabíveis “à bem do serviço público”.

O Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos de Ribeirão Pires) foi procurado para comentar o caso. Questionamos à presidente, Simone Beatriz, qual a posição do Sindserv sobre as denúncias de assédio moral praticadas contra funcionários públicos, se o Sindicato pretende apurar os fatos ou se manifestar de alguma forma.

Desde a semana passada Simone Beatriz tem sido procurada em horários diferentes, inclusive na sede da Associação, porém a líder sindical até o momento não respondeu aos questionamentos dessa reportagem ou retornou aos nossos telefonemas, se reservando apenas a mandar uma mensagem de texto no dia três de março, às 19h58, dizendo estar ocupada.

O clima de trabalho na Secretaria de Comunicação de Ribeirão Pires permanece sob tensão. Segundo fonte ligada a alta cúpula do Governo Kiko, o prefeito “não vai afastar o João por birra porque foram vocês (os jornalistas deste Blog) que denunciaram”.

O caso segue inconclusivo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s